Voltar para Assuntos Diversos  

vida, morte, preparação, assistência, confiança, sintonia, intercessão, céu, inferno, enfermidade, tempo, vida

Libertação ou "morte"

Após o desenlace (espírito preparado)

Apressando o desenlace (injeção fatal)

Céu e inferno

Confiança em Deus

De crianças

Enfermidade mortal

Eutanásia

Intercessão

Libertação quando se está doente

Máquina Divina

Retornando ao convívio dos parentes encarnados

O psicoscópio

O velório

Os familiares encarnados

Os que ainda dormem

Momento do desenlace

Para se libertar facilmente

Preparação para a desencarnação

Prolongamento do tempo de vida

Próximo à libertação

Resgates coletivos

Sentindo a presença de espíritos queridos

Sintonia

 


 

 

Nosso Lar

"Estava convicto de não mais pertencer ao número de encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a longos haustos." (Nosso Lar Cap.1 - FEB 1943)

" ... Persistiam as necessidades fisiológicas, sem modificação. Castigava-me a fome todas as fibras, e, nada obstante, o abatimento progressivo não me fazia cair definitivamente am absoluta exaustão. De quando em quando, deparavam-se-me verduras que me pareciam agrestes, em torno de humildes filetes d'água a que me atirava sequioso. Devorava as folhas desconhecidas, colava os lábios à nascente turva, enquanto me permitiam as forças irresistíveis, a impelirem-me para a frente. ..." (Nosso Lar Cap.2 - FEB 1943)

"À medida que procurava habituar-me aos deveres novos, sensações de desafogo me aliviavam o coração. Diminuíram as dores e os impedimentos de locomoção fácil. Novata, porém, que a recordações mais fortes dos fenômenos físicos, me voltavam a angústia, o receio do desconhecido, a mágoa da inadaptação. Apesar de tudo, encontrava mais segurança dentro de mim." (Nosso Lar Cap.7 - FEB 1943)

"... a carga de pensamentos sombrios, emitidos pelos parentes encarnados, era a causa fundamental desse agravo de perturbação. Visto achar-se ainda muito fraco e sem ter acumulado força mental suficiente para desprender-se dos laços mais fortes do mundo, o pobre não tem resistido, como seria de desejar." (Nosso Lar Cap.27 - FEB 1943)

" ... vou pedir providências contra a atitude da família. É preciso que ela receba maior bagagem de preocupações, para que nos deixe o Ribeiro em paz." (Nosso Lar Cap.27 - FEB 1943)

Os Mensageiros

" Raras criaturas começam a refletir seriamente na vida e nos deveres, antes do leito da morte física." (Os Mensageiros Cap.35 - FEB 1944)

" O agonizante retrai-se aos poucos e ainda não abandonou totalmente a carne, por falta de educação mental. Vê-se pelo excesso de intemperança das células, sobre as quais não exerce nem mesmo um controle parcial, que este homem viveu bem distante da disciplina de si mesmo. Seus elementos fisiológicos são demasiadamente impulsivos, atendendo muito mais ao instinto que ao movimento da razão concentrada. A falar verdade, este nosso amigo não está desencarnando, está sendo expulso da divina máquina, onde, pelo que vemos, não parece Ter prezado bastante os sublimes dons de Deus." (Os Mensageiros Cap.49 - FEB 1944)

Missionários da Luz

" Não julgueis que a morte da forma santifique o ser que a habitou! Se o raio de sol não se contamina ao contato do pântano, também o doente rebelde é o mesmo enfermo se apenas troca de residência. O corpo físico representa apenas o vaso em uso, durante algum tempo, e o vaso quebrado não significa redenção ou elevação do seu temporário possuidor. Recorremos a semelhante imagem para dizer-vos que o habitante da esfera, atualmente invisível aos vossos olhos, é um irmão nem sempre superior a vós outros, nos círculos evolutivos. Desencarnação não expressa santificação. ...." (Missionários da Luz Cap.9 - FEB 1945)

Obreiros da Vida Eterna

"Transferimo-nos de residência, pura e simplesmente, e tanto trazemos para cá indisposições e doenças, como as investigações e processos de curar. Os enfermos e os médicos são aqui em maior número. O corpo astral é organização viva, tão viva quanto o aparelho fisiológico em que vivíamos no plano carnal." (Obreiros da Vida Eterna Cap.V - FEB 1946)

No Mundo Maior

" Arremessara-nos a morte a atmosfera estranha à luta física. A primeira sensação fora o choque. Empolgara-nos o imprevisto. Continuávamos vivendo, apenas sem a máquina fisiológica, mas as novas condições de existência não significavam subtração da oportunidade de evolver. O motivos de competição benéfica, as possibilidades de crescimento espiritual haviam lucrado infinitamente. ." (No Mundo Maior Cap.3 - FEB 1947)

" - Fabrício desposou uma criatura, por todos os títulos credora do amparo celestial, e essa mulher quase sublime deu-lhe três filhos, aos quais ele se consagrou nobremente, preparando-os para elevado ministério social. São eles, presentemente, dois professores e um médico, dedicados ao ideal superior de servir ao bem coletivo. Fabrício não tem o direito de perturbar a família organizada à sombra de seu amparo material, mas educada sem o seu personalismo despótico. Pelo serviço que prestou à esposa e aos filhos, recebe do Alto o socorro de agora, de maneira a tranferir residência, por imposição da morte, preparado para o futuro de reajustamento. As preces da companheira e dos filhos garantem-lhe uma «boa morte» próxima, para a qual vamos organizando as suas energias e habituando pari passu a família a permanecer em missão ativa no bem sem a presença material dele." (No Mundo Maior Cap.12 - FEB 1947)

Libertação

"Os fluidos da carne tecem um véu pesado demais para ser facilmente rompido pelos que se não afeiçoam, ainda, diariamente, ao contato com a espiritualidade superior." (Libertação Cap.XIII - FEB 1949)

" (...) Verificara-se, ali, naquele abraço, espantoso choque entre a luz e a treva, e a treva não resistiu...
Gregório, como que abalado nos refolhos do ser, regressara à fragilidade infantil, em pleno desmaio da força que o sustinha. Finalmente, iniciara sua libertação." (Libertação Cap.XX - FEB 1949)

 

Nos Domínios da Mediunidade

" Seus momentos na carne estavam contados.
Incapaz de entender-se com a filha, desejou despedir-se de velha irmã que residia a longa distância.
Vimo-la, num supremo esforço, concentrando os próprios pensamentos para satisfazer a essa derradeira aspiração...
Dezenas de quilômetros foram instantaneamente vencidos.
Em plena noite alta, colocamo-nos ao lado dela, num aposento mal iluminado, em que venerável anciã dormia tranqüila.
- Matilde! Matilde!...
A recém-chegada tentou despertá-la, à pressa, mas em vão. Consciente de que não dispunha senão de rápidos instantes, vibrou algumas pancadas no leito da irmã, que acordou de chofre, entrando, de imediato, em sua esfera de influência.
Dona Elisa passou a falar-lhe, atormentada. Dona Matilde, contudo, não lhe escutava as palavras pelos condutos auditivos do vaso carnal e sim pelo cérebro, através de ondas mentais, em forma de pensamentos a lhe remoinharem ao redor da cabeça.
Reerguendo-se, inquieta, falou de si para consigo: - «Elisa morreu».
- Todas as pessoas, desde que o desejem - perguntou meu colega -, podem efetuar semelhantes despedidas, quando partem da Terra?
- Sim, Hilário, você diz bem quando afirma «desde que o desejem», porque semelhantes comunicações, no instante da morte, somente se realizam por aqueles que concentram a própria força mental num propósito dessa espécie." (Nos domínios da Mediunidade Cap.21 - FEB 1955)

Ação e Reação

" O companheiro, que se dispusera a assistir-nos, informou que as entidades prestes a entrarem integravam uma equipe de dezenove pessoas, acompanhadas por dez servidores da casa, que lhes orientavam a excursão, tratando-se de recém-desencarnados em desequilíbrio mental, mas credores de imediata assistência, de vez que não se achavam em desesperação, nem se haviam comprometido de todo com as forças dominantes nas trevas.(...)
(...) Os recolhidos, no entanto, exceção de cinco que vinham de maca, desmemoriados e dormentes, revelavam perturbações manifestas que, em alguns, se expressavam por loucura desagradável, se bem que pacífica." Ação e Reação Cap.4 - FEB 1957)

" - O socorro no avião sinistrado é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito.
- Quantos dias? - clamou meu colega, incapaz de conter a emoção de que se via possuído.
- Depende do grau de animalização dos fluídos que lhes retêm o Espírito à atividade corpórea - respondeu-nos o mentor. - Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que «morte física» não é o mesmo que «emancipação espiritual»." (Ação e Reação Cap.18 - FEB 1957)

" ... É assim que, desentrançadas da matéria densa, aqui aportam, batidas pelo remorso e pelo arrependimento, padecendo frustrações lamentáveis, quando não estacionam por tempo mais ou menos longo em furnas expiatórias, nas quais, presas de antigos adversários ou de velhos comparsas do vício, sofrem tristes alterações em seus centros de força, a se lhes expressarem na mente por desequilíbrio funestos.." (Ação e Reação Cap.19 - FEB 1957)

 

Evolução em dois mundos

"Apenas quando os acontecimentos da morte se realizam é que a criatura humana desencarnada, plenamente renovada em si mesma, abandona o veículo carnal a que se jungia; contudo, muitas vezes intimamente aprisionada ao casulo dos seus pensamentos dominantes, quando não trabalhou para renovar-se, nos recessos do espírito, passa a revelar-se em novo peso específico, segundo a densidade da vida mental em que se gradua, dispondo de novos elementos com que atender à própria alimentação, equivalentes às trompas fluídico-magnéticas de sucção, embora sem perder de modo algum o aparelho bucal que nos é característico, salientando-se, aliás, que semelhantes trompas ou antenas de matéria sutil estão patentes nas criaturas encarnadas, a se lhe expressarem na aura comum, como radículas alongadas de essência dinâmica, exteriorizando-lhes as radiações específicas, trompas ou antenas essas pelas quais assimilamos ou repelimos as emanações das coisas e dos seres que nos cercam, tanto quanto as irradiações de nós mesmos, uns para com os outros. " (Evolução em Dois Mundos, em 05/03/1958, Primeira Parte - XI)

"E segredando substâncias mentais, à base de impulsos renovadores, tanto quanto certas crisálidas que segregam um líquido especial que lhes facilita a saída do próprio casulo, a alma que desencarna, findo o processo histolítico das células que lhe construíam o carro biológico, e fortificado o campo mental em que se lhe enovelaram os novos anseios e as novas disposições, logra desvencilhar-se, mecanicamente, dos órgãos físicos, agora imprestáveis, realizando, por avançado automatismo, o trabalho histogenético pelo qual desliga as células sutis do seu veículo espiritual dos remanescentes celulares do veículo físico, arrojado à queda irreversível, agindo agora com a eficiência e a segurança que as longas e reiteradas recapitulações lhe conferiram." (Evolução em Dois Mundos, em 09/03/1958, Primeira Parte - XII)

 

 

 

Sexo e Destino

" O invólucro abandonado por aquela alma boa e veneranda recolhia atenções especiais, para apresentar-se no catafalco de luxo, ao passo que ela mesma, inconsciente, se asilava nos braços de irmãs afetuosas, sob o olhar comovido de Neves e de outros familiares em carinhoso desvelo." (Sexo e Destino - 1ª parte - Cap.I - FEB 1963)

" Marita desligava-se, a pouco e pouco, de toda a relação com o mundo corpóreo. Nem mesmo o calor daquele amigo generoso que a sustentava, qual se lhe ofertasse um pulmão suplementar, a interessava mais...
(...) Perdoar - monologou - que outra coisa lhe competia fazer diante da morte? Sim, devia partir olvidando mágoas e afrontas... Reconhecia-se na armadura dos ossos, à feição de pinto no ovo. Tênue pancada ou breve movimento conseguiria despejá-la e deveria sair, conquanto não soubesse para onde... Por que não seguir, apagando as labaredas que lhe requeimavam os sentimentos?!...
(...) Desde esse minuto solene de pacificação, começou a distinguir, vagamente, vozes e formas do plano espiritual, entre alegre e amedrontada, qual se estivesse acordando num clarão transpassado de bruma..." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.VII - FEB 1963)

" Felizes da Terra! Quando passardes ao pé dos leitos de quantos atravessam prolongada agonia, afastai do pensamento a idéia de lhes acelerardes a morte!...
Ladeando esses corpos amarrotados e por trás dessas bocas mudas, benfeitores do plano espiritual articulam providências, executam encargos nobilitantes, pronunciam orações ou estendem braços amigos!
Ignorais, por agora, o valor de alguns minutos de reconsideração para o viajor que aspira a examinar os caminhos percorridos, antes do regresso no aconchego do lar.
Se não vos sentis capacitados a oferecer-lhes uma frase de consolação ou o socorro de uma prece, afastai-vos e deixa-os em paz!... As lágrimas que derramam são pérolas de esperança com que as luzes de outras auroras lhes rociam a face!...
Esses gemidos que se arrastam do peito aos lábios, semelhando soluços encarcerados no coração, quase sempre traduzem cânticos de alegria, à frente da imortalidade que lhes fulgura do Além!...
Companheiros do mundo, que ainda trazeis a visão limitada aos arcabouços da carne, por amor aos vossos sentimentos mais caros, daí consolo e silêncio, simpatia e veneração aos que se abeiram do túmulo! Eles não são as múmias torturadas que os vossos olhos contemplam, destinadas à lousa que a poeira carcome... São filhos do Céu, preparando o retorno à Pátria, prestes a transpor o rio da Verdade, a cujas margens, um dia, também vós chegareis!..." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.VII - FEB 1963)

" (...) informou que ninguém na Terra consegue avaliar a expectativa, a ternura, o esforço e o sacrifício com que os amigos desencarnados torcem pelo triunfo ou pelo aprimoramento parcial dos afeiçoados, em serviço no mundo, e nem imaginar a desolação que lhes sacode o ânimo, quando não logram abraçá-los de volta, mesmo ligeiramente renovados para o suspirado convívio. Noticiou que os companheiros em malogro positivo, após a desencarnação, passam, automaticamente, às zonas inferiores, onde, por vezes, ainda se demoram, por muito tempo, em desequilíbrio ou devassidão, conquanto nunca percam o devotamento dos amigos ali domiciliados, que intercedem por eles, junto a colônias dedicadas a outros tipos de assistência. Sabia, porém, de casos pertinentes a vários rematriculados depois dessas refregas. Em compensação, exaltou os prêmios atribuídos aos vencedores. Os aprendizes que se laureiam, através do aproveitamento substancial dos recursos fornecidos pela organização, aí se honram com admiráveis oportunidades de trabalho, em estâncias superiores, conforme os desejos que expressem." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.XI - FEB 1963)

" (...) A desencarnação precoce acarretara-lhe prejuízos. Ele, porém, rogara de orientadores amigos as possíveis concessões, a fim de que fosse reposta, com urgência, no ambiente familiar do Rio, de modo a que se não perdessem medidas em andamento para o resgate do pretérito. (...)
Neves abordou a tese referente ao dia determinado para a desencarnação, defendida por alguns religiosos na Terra, ao que Félix enunciou:
- Sim, não nos é lícito desacreditar os ensinamentos religiosos. Há planos prefixados e ocasiões previstas com relativa exatidão para o deperecimento do veículo físico; no entanto, os interessados costumam alterá-los, seja melhorando ou piorando a própria situação. Tempo é comparável a crédito que um estabelecimento bancário empresta ou retira, segundo as atitudes e diretrizes do devedor. Não podemos, assim, olvidar que a consciência é livre para pensar e agir, tanto nas áreas físicas quanto nas espirituais, mesmo quando jungida às conseqüências do passado culposo." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.IX - FEB 1963)

"Beatriz remoçara. (...)
(...) Declarava-se encantada, agradecida aos hospedeiros. Falava como se estivesse num lar de pessoas desconhecidas, sem suspeitar das atenções que recebera de Félix, antes de liberar-se do corpo enfermiço.
(...) Todos nos esforçávamos por induzi-la a esquecimento construtivo; entretanto, mesmo assim (...) rogava para que os circunstantes a favorecessem com uma visita, na primeira oportunidade, à casa que ficara na Terra. (...) acreditava ter sido no mundo imensamente feliz, ao lado de um esposo que, na apreciação dela, era dos companheiros mais leais do mundo e o pai do melhor dos filhos...
A noite avançara.
Neves confortou-a, propiciando-lhe esperanças, e enquanto nos despedíamos, demandando o repouso, refleti na transformação do amigo que aprendera a colocar o amor por cima de mágoas recalcadas, a endereçar afetuoso sorriso para a filha confiante e adiando a verdade para momento oportuno." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.IX - FEB 1963)

" Nemésio, parcialmente desencarnado, enlouquecera ao descobrir, em derredor do refúgio doméstico, a presença das companhias infelizes que irrefletidamente cultivara. Verificando-se o inesperado, os juízes, por espírito de eqüidade, recomendaram se lhe conservasse a demência por benefício, no que, aliás, tinham sido referendados pelo Irmão Régis, porquanto erra era a única fórmula pela qual se lhe podia dar uma guarda conveniente, de modo a subtraí-lo à sanha de malfeitores desencarnados, que anelavam possuir-lhe o concurso em vilezas, tão logo alijasse o corpo destrambelhado." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.XIII - FEB 1963)

 

E a vida continua...

" (...) Contamos na Terra, de onde somos egressos, milhões de pessoas sensatas e espiritualmente desequilibradas, sadias e enfermas, instruídas e ignorantes, relativamente sublimadas e outras tantas ainda excessivamente animalizadas, confiantes e descrentes, amadurecidas na evolução ou iniciantes nela. Impraticável categorizá-las, depois da morte, segundo um critério exclusivo. Cada qual estará em seu grupo e cada grupo em sua comunidade ou faixa de afinidades. Nada fácil padronizar as situações dos Espíritos desencarnados. (...) Razoável reconhecer que por muito se enfeitem, externamente, com as honras que lhes são prestadas pelos entes queridos, quando se despedem do mundo, os homens, quaisquer que sejam, chegam aqui como são... Porque hajam desencarnado, o louco não adquire o juízo, de um dia para outro, e nem o ignorante obtém a sabedoria por osmose. Depois da morte, somos o que fizemos de nós, na realidade interna, e colocamo-nos em lugar compatível com as possibilidades de recuperação ou com as oportunidades de serviço que venhamos a demonstrar.
- Estamos diante de trabalho imenso... - anotou Fantini, espantado.
- Sim, no mundo dos homens, uma criatura não se modifica, de improviso, por haver atravessado o oceano, de um continente para outro... Acontece o mesmo, nos domínios do espírito." (E a Vida Continua... Cap.9 - FEB 1968)

" (...) é verdade que somos Espíritos desencarnados, pessoas que não mais habitam a Terra?
- Perfeitamente, embora a irmã não consiga ainda certificar-se disso.
- Porque semelhante inadaptação?
- Falta de preparo na vida física. De modo geral, a sua posição de surpresa é comum à maioria das criaturas terrestres, em virtude da ausência de integração real com as experiências religiosas que se afeiçoam." (E a Vida Continua... Cap.10 - FEB 1968)

" (...) Na esfera física, muitas vezes ouvimos a afirmativa de que é preciso coragem para ver os mortos e ouvi-los!... A situação aqui não é diferente, em relação aos chamados vivos. De maneira geral, todos nós, imediatamente depois da desencarnação, somos levados a cursos preparatórios de entendimento, para ganhar o ânimo indispensável, a fim de rever os vivos e escutá-los de novo, sem danos para eles e para nós... " (E a Vida Continua... Cap.11 - FEB 1968)

" (...) Achavam-se suficientemente informados de que entre eles e os amados do mundo se levantava agora o muro das vibrações diferentes. Em vista disso mesmo, não mais lhes seria possível retomar-lhes a atenção como quem volta de uma viagem. Competia-lhes a obrigação da conformidade, perante quaisquer transformações a que se lançassem. Nesse sentido, até ali, haviam registrado as mais diversas narrações de mortos que procediam da Terra, desacoroçoados e tristes, ante a impossibilidade de serem vistos, ouvidos, assinalados, tocados pelos parentes. Muitos voltavam consolados e esperançosos, como que libertos de laços e algemas que lhes fossem pesados aos corações, mas outros muitos regressavam desencantados e sorumbáticos, evidenciando pouca disposição para conversar. (...)" (E a Vida Continua... Cap.16 - FEB 1968)

 

 

Após o desenlace (espírito preparado)

""Não me zango em sabê-los saudosos, pois também eu sinto falta de sua presença, de sua ternura, da carícia de nossos filhos, mas ficaria contrariado se soubesse que a tristeza absorveu nosso ninho alegre. Tenha coragem e não desfaleça. Logo que for possível, retomarei meu lugar, em espírito. Estarei com você no ganha-pão, assisti-la-ei nos exercícios da prece e respirarei a atmosfera do seu carinho. Para isso, por enquanto, preciso escorar-me em sua fortaleza de ânimo e não dispenso o seu amoroso auxílio. Sinto-me cercado de bons amigos que não nos esquece e, quem sabe, estaremos, lado a lado, de novo, em porvir não remoto? Avisaram-me de que a Divina Bondade me concedeu ingresso em colônia de trabalho santificador, a fim de prosseguir em meus serviços de elevação. Poderei talvez tecer diferente e mais belo ninho para aguardá-la. Ouço dizer, Mercedes, que o Sol é muito mais lindo nessa paisagem de encantadora luz e que, à noite, as árvores floridas assemelham-se a formosos lampadários, porque as flores maravilhosas retêm o luar divino...."(Obreiros da Vida Eterna Cap.XVII - FEB 1946)

Apressando o desenlace (injeção fatal)

"O médico abanou a cabeça e exclamou quase num sussurro:
- É impossível continuar assim. Será aliviado.
Jerônimo penetrou-lhe o íntimo, porque passou a mostrar extrema preocupação, comunicando-me, gravemente:
- Beneficiemos o moribundo, por nossa vez, empregando medidas drásticas. O doutor pretende impor-lhe fatal anestésico.
- Atendendo-lhe a ordem, segurei a fronte do agonizante, ao passo que ele lhe aplicava passes longitudinais, preparando o desenlace. Mas o teimoso amigo continuava reagindo.
- Não - exclamava mentalmente -, não posso morrer! Tenho medo! Tenho medo!
O clínico, todavia, não se demorou muito, e como o enfermo lutava, desesperado, em oposição ao nosso auxílio, não nos foi possível aplicar-lhe golpe extremo. Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou a chamada "injeção compassiva", ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador.
Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçaram-se-lhe os membros, vagarosamente. Imobilizou-se-lhe a máscara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis.
Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade desencarnante estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação.
Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me:
- A carga fulminante da medicação de descanso, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, interpenetra os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar qualquer resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas." (Obreiros da Vida Eterna Cap.XVIII - FEB 1946)

 

Céu e inferno

" A noção de céu e inferno, fundamente arraigada na mente popular, não deixa perceber que os homens, de modo geral, não se modificam com a morte física, como a troca de residência não significa mudança de personalidade para a criatura comum." (Os Mensageiros Cap.16 - FEB 1944)

"As criaturas que se agarram aqui, às impressões físicas, estão sempre criando densidade para os seus veículos de manifestação, da mesma forma que os Espíritos dedicados à região superior estão sempre purificando e elevando esses mesmos veículos. Nossos projeteis, portanto, expulsam os inimigos do bem através de vibrações do medo, mas poderiam causar a ilusão da morte, atuando sobre o corpo denso dos nossos semelhantes menos adiantados no caminho da vida. A morte física, na Terra, não é igualmente pura impressão? Ninguém desaparece. O fenômeno é apenas de invisibilidade ou, por vezes, de ausência." (Os Mensageiros Cap.20 - FEB 1944)

 

Confiança em Deus no momento da morte

"- Escute! Refreie a emoção, que lhe será extremamente prejudicial. Sustente o equilíbrio, diante do fato consumado. Estamos, agora, juntos, numa vida mais feliz. Não tenha preocupações acerca dos que ficaram. Tudo será remediado, como convém, no momento oportuno. Acima de qualquer pensamento que o incline à prisão no círculo que acabou de deixar, faça valer a confiança sincera e firme em nosso Pai Celestial. " (Obreiros da Vida Eterna Cap.XV - FEB 1946)

 

Crianças (situação após a libertação)

" Blandina, que parecia bastante versada nas questões da infância, associando-se à conversação que Clarêncio desenvolvia, considerou, com interesse:
- Efetivamente, a Lei é invariável, contudo, a criança desencarnada muitas vezes é problema aflitivo. Quase sempre dispõe de afeiçoados que a seguem, de perto, amparando-lhe o destino, entretanto tenho observado milhares de meninos que, pela natureza das provações em que se envolveram, sofrem muitíssimo, à espera de oportunidades favoráveis para a aquisição dos valores de que necessitam." (Entre a Terra e o Céu Cap.X - FEB 1954)

" (...) O infanticídio insconsciente e indireto é largamente praticado no mundo. E como o débito reclama resgate, as delongas na solução dos compromissos assumidos acarretam enormes padecimentos nas criaturas que se submetem aos choques biológicos da reencarnação e vêem prejudicadas as suas esperanças de quitação com a Lei. (...)
... Em regra geral, multidões de criaturas cedo se afastam do veículo carnal, atendendo a serviços de socorro e sublimação, mas em numerosas circunstâncias, a negligência e a irreflexão dos pais são responsáveis pelo fracasso dos filhinhos.
- Aqui - explicou Blandina, delicada -, recebemos muitas solicitações de assistência, a benefício de pequeninos ameaçados de frustração. Temos irmãs que por nutrirem pensamentos infelizes envenenam o leite materno, comprometendo a estabilidade orgânica dos recém-natos; vemos casais que, através de rixas incessantes, projetam raios magnéticos de natureza mortal sobre os filhinhos tenros, arruinando-lhes a saúde, e encontramos mulheres invigilantes que confiam o lar a pessoas ainda animalizadas, que, à cata de satisfações doentias, não se envergonham de ministrar hipnóticos a entezinhos frágeis, que reclamam desvelado carinho... Em algumas ocasiões, conseguimos restabelecer a harmonia, com a recuperação desejável, no entanto, muitas vezes somos constrangidas a assistir ao malogro de nossos melhores propósitos. (...)
- Não vale fugir às responsabilidades, porque o tempo é inflexível e porque o trabalho que nos compete não será transferido a ninguém.
(...) com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino desencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto...
- Em muitas situações, é o que acontece - esclareceu Blandina, afetuosa -; quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender-se das imposições da forma, superando as dificuldades da desencarnação prematura. Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira. Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo. Almas ainda encarceradas no automatismo inconsciente, acham-se relativamente longe do autogoverno. Jazem conduzidas pela Natureza, à maneira das criancinhas no colo maternal. Não sabem desatar os laços que as aprisionam aos rígidos princípios que orientam o mundo das formas e, por isso, exigem tempo para se renovarem no justo desenvolvimento. É por esse motivo que não podemos prescindir dos períodos de recuperação para quem se afasta do veículo físico, na fase infantil, de vez que, depois do conflito biológico da reencarnação ou da desencarnação, para quantos se acham nos primeiros degraus da conquista de poder mental, o tempo deve funcionar como elemento indispensável de restauração. E a variação desse tempo dependerá da aplicação pessoal do aprendiz à aquisição de luz interior, através do próprio aperfeiçoamento moral. (...)
- Usando semelhantes apontamentos, podemos entender, com mais segurança, os processos dolorosos das enfermidades congênitas e das moléstias insidiosas que assaltam a meninice no mundo. (...)" (Entre a Terra e o Céu Cap.X - FEB 1954)

" - Júlio reajustou-se para a continuação regular da luta evolutiva que lhe compete. O renascimento malogrado não teve para ele tão somente a significação expiatória, necessária ao Espírito que deserta do aprendizado, mas também o efeito de um remédio curativo. A permanência no campo físico funcionou como recurso de eliminação da ferida que trazia nos delicados tecidos da alma. A carne, em muitos casos, é assim como um filtro que retém as impurezas do corpo perispiritual, liberando-o de certos males nela adquiridos. (...)
- Isso quer dizer que Júlio doravante poderá exteriorizar-se num corpo sadio, conquistando merecimento para obter uma reencarnação devidamente planejada, com elevados objetivos de serviço. Terá, por alguns meses conosco, desenvolvimento natural, regressando à Terra, em elogiáveis condições de harmonia consigo mesmo.
- Mas voltará, assim, em tão pouco tempo? - perguntei admirado.
- Esperamos que assim seja. Deve atender ao crescimento de qualidades nobres para a vida eterna que somente o retorno à escola da carne poderá facilitar. (...)" (Entre a Terra e o Céu Cap.XXXIII - FEB 1954)

 

Enfermidade mortal

" A enfermidade mortal, para o homem terreno, não deixa, em certo sentido, de ser prolongada operação redutiva, libertando por fim a alma, desembaraçando-a dos laços fisiológicos. Há pessoas que, depois de algumas semanas de leito, se tornam francamente irreconhecíveis. E devemos considerar que o aparelho físico permanece muito distante da plasticidade do corpo perispiritual, profundamente sensível à influenciação magnética." (Missionários da Luz Cap.13 - FEB 1945)

 

Eutanásia

"... Fui a casa de nossa amiga, quando o irmão, o Edelberto, médico de aparência distinta, empregou, no genitor quase moribundo, a chamada "morte suave". Esforçamo-nos por o evitar, mas foi tudo em vão. O pobre rapaz desejava, de fato, apressar o desenlace, por questões de ordem financeira, e aí temos agora a imprevidência e o resultado - o ódio e a moléstia.
E com expressivo gesto, Narcisa rematou:
- Deus criou seres e céus, mas nós costumamos transformar-nos em espíritos diabólicos, criando nossos infernos individuais." (Nosso Lar Cap.30 - FEB 1943)

" - Examinando essa criança sofredora como enigma sem solução, alguns médicos insensatos da Terra se lembrarão talvez da «morte suave»; ignoram que, entre as paredes deste lar modesto, o Médico Divino, utilizando um corpo incurável e o amor, até o sacrifício, de um coração materno, restitui o equilíbrio a espíritos eternos, a fim de que sobre as ruínas do passado possam irmanar-se para gloriosos destinos." (No Mundo Maior Cap.7 - FEB 1947)

.

"Efetivamente, logo após a morte física, sofre a alma culpada minucioso processo de purgação, tanto mais produtivo quanto mais se lhe exteriorize a dor do arrependimento, e, apenas depois disso, consegue elevar-se a esferas de reconforto e reeducação. Se a moléstia experimentada na veste somática foi longa e difícil, abençoadas depurações terão sido feitas, pelo ensejo de auto-exame, no qual as aflições suportadas com paciência lhe alteraram sensações e refundiram ideias. Todavia, se essa operação natural não foi possível no círculo carnal, mais se lhe agravam os remorsos, depois do túmulo, por recalcados na consciência, a aflorarem, todos eles, através de reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. Criminosos que mal ressarciram os débitos contraídos, instados pelo próprio arrependimento, plasmam, em torno de si mesmos, as cenas degradantes em que arruinaram a vida íntima, alimentando-as à custa dos próprios pensamentos desgovernados. (...) As vítimas do remorso padecem, assim, por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram." (Evolução em Dois Mundos, em 09/04/1958, Primeira Parte - XIX)

 

 

Intercessão

" - Nossa amiga tem razão. Fernando não poderá acompanhá-la, mas tão nobre tem sido a intercessão materna que tenho instruções para conduzi-lo a lugar seguro, a uma casa de socorro, onde poderá colher o melhor proveito do sofrimento, porquanto será asilado em zona vibratória inacessível às influências inferiores e criminosas, embora situada em regiões baixas." (Os Mensageiros Cap.50 - FEB 1944)

 

Libertação quando se está doente

" Ante a mágoa profunda do esposo e dos pais, que tudo fizeram para retê-la, Evelina, fatigada, cerrou os olhos do corpo físico, na suprema libertação, justamente quando as estrelas desmaiavam na antemanhã, sobre-rondando alvorada nova." (E a Vida Continua... Cap.4 - FEB 1968)

" Evelina despertou num quarto espaçoso, com duas janelas deixando ver o céu.
Emergia de um sono profundo, pensou.
Diligenciou recordar-se, assentando contas da própria situação.
Como teria entrado na amnésia de que estava tornando agora à tona da consciência?
Desemperrou a custo os mecanismos da memória e passou a lembrar-se, vagarosamente... A princípio, indescritível pesadelo lhe conturbara o repouso começante. Sofrera, decerto, uma síncope inexplicável. Percebera-se movendo num mundo exótico de imagens que a faziam regredir na estrada das próprias reminiscências. Recapitulara, não sabia como, todas as fases de sua curta vida. Voltara no tempo. Reconstituíra todos os dias já vividos, a ponto de rever o pai chegando morto ao lar, quando contava somente dois anos de idade. Nesse filme que as energias ocultas da própria mente haviam exibido para ela, nos quadros mais íntimos do ser, ouvira, de novo, os gritos maternos e enxergava, à frente, os vizinhos espantados, sem compreender a tragédia que se lhe abatia sobre a casa...
Depois, registrara a impressão de tremendo choque.
Algo como que se lhe desabotoara no cérebro e vira-se flutuar sobre o próprio corpo adormecido...
Logo após, o sono invencível. (...)
Evelina bocejou, distendeu os braços e não se surpreendeu com qualquer dor.
Recuperara-se enfim, refletiu alegre.
Conhecia a presença da saúde e a testemunhava em si mesma. Nenhum sofrimento, nenhum estorvo.
Se algo experimentava de menos agradável, era precisamente um sinal de robustez orgânica: sentia fome. (...)
- Enfermeira - falou para a recém-chegada -, posso rogar-lhe o favor de chamar meu marido?
- Tenho instruções para, antes de tudo, informar o médico sobre suas melhoras.
- A senhora Serpa concordou, afirmando, no entanto, que sentia necessidade de reencontrar os familiares, de maneira a repartir com eles o próprio júbilo. (...)
Em dois minutos,. um homem de branco entrou, calmo. (...)
O facultativo ouviu-a, paciente, e rogou-lhe conformidade. Retornaria aos parentes, mas precisava reajustar-se.
Gesticulando carinhosamente, qual se sossegasse uma filha, aclarou:
- A senhora está melhor, muito melhor; entretanto, ainda sob rigorosa assistência de ordem mental. Em se ligando a quaisquer agentes suscetíveis de induzi=la a recordações muito ativas da moléstia que sofreu, é provável que todos os sintomas reapareçam. Pense nisso. Não lhe convém, por agora, recolocar-se entre os seus. (...)
Restituída à solidão, Evelina começou a ler o Sermão da Montanha; todavia, a advertência clínica se lhe intrometia na imaginação, insistentemente. Se estava restaurada, qual se via, porque simples lembranças lhe imporiam retorno aos padecimentos de que se acusava liberta? (...)
Tais recursos de equilíbrio orgânico seriam assim tão fáceis de perder?
Retirou a atenção do livro e engolfou-se em novas cogitações... E se reconstituísse em espírito a presença de Caio e dos pais, com veemência? e se concentrasse os próprios pensamentos nas dores que havia deixado à retaguarda?
Infelizmente para ela, confiou-se a semelhantes exercícios e, decorridos alguns minutos, a crise revelou-se, agigantando-se-lhe as extremidades, enquanto que mantinha a idéia de que um braseiro a requeimava por dentro, com a dispnéia afrontando-lhe o peito. Desencadeados os sintomas, quis reagir, contrapor conceitos de saúde aos de doença; entretanto, era tarde. O sofrimento ganho-lhe as forças e passou a contorcer-se no suplício de que se admitira definitivamente distanciada... (...)
Conquanto a bondade de que dava mostras, o médico agiu com energia. (...) Aconselhável obrigá-la a repousar mais tempo, controlada por anestésicos. A doente não podia e nem devia entregar-se a ideias fixas, sob pena de voltar a sofrer sem necessidade. (...) Refêz-se, vigilante. Reconhecia-se sob uma espécie de assistência cuja eficácia e poder não lhe cabia agora subestimar." (E a Vida Continua... Cap.5 - FEB 1968)

" Evelina confidenciou a perplexidade em que vivia. Despertara naquela instituição de saúde que desconhecia de todo, obviamente transferida de casa por imposição da família, porquanto o único fato de que se recordava com clareza era justamente o desmaio em que descambara no tope de uma crise das piores que havia atravessado.
E salientou, sorrindo, que tivera a impressão de morrer...
Quanto tempo desacordada? Ignorava.
Retomara-se apenas quando viera a si do sono profundo e sem sonhos, ali mesmo, no quarto do terceiro andar.
Desde então, andava intrigada com o mistério que a administração fazia, em torno dela própria, de vez que não obtivera permissão para telefonar ao marido. (...)
Alongados os comentários que anotava, curioso, Fantini mostrou estranho brilho no olhar e concordou com Evelina.
Declarou achar-se em brasas. Revelou que também sofrera esquisita fuga de si mesmo, com a diferença de que isso lhe ocorrera, logo após a cirurgia, quando voltava para o leito, segundo acreditava. E registrara aquele mesmo fenômeno de retrospecção, a que se reportava a senhora Serpa em seus apontamentos confidenciais, no qual se vira repentinamente devolvido ao pretérito, desde os primeiros momentos de espanto até os dias primeiros da infância...
Depois, dormira pesadamente. (...)
- Acaso não se vê em boa posição mental, desde que despertou?
- Não tanto. Aflito por notícias dos meus, voltei a sentir agudas crises. Bastava lembrar a mulher e a filha, concomitantemente com a intervenção cirúrgica, e via-me, quase que de imediato, sob asfixia terrível, a desfalecer de sofrimento. (...)
(...) Os médicos e enfermeiros que nos rodeiam estão plenamente justificados, quanto ao propósito de resguardar-nos contra quaisquer tipos de preocupação com a vida exterior. O menor vinco de aflição na tela mental de nossas impressões do momento, assim penso, nos traria talvez grande prejuízo às emoções e idéias, qual ocorre à pequena distorção que desfigura a simetria das ondas elétricas." (E a Vida Continua... Cap.6 - FEB 1968)

 

 

Máquina Divina

" A luz mental, embora fosca, tornara-se mais nítida e o corpo do moribundo agigantou-se, oferecendo-me espetáculo surpreendente aos olhos ansiosos. Parecia-me o corpo, agora, maravilhosa usina nos mais íntimos detalhes. O quadro científico era simplesmente estupefativo. Identificava, em grandes proporções, os nove sistemas de órgãos da máquina humana; o arcabouço ósseo, a musculatura, a circulação sanguínea, o aparelho de purificação do sangue consubstanciado nos pulmões e nos rins, o sistema linfático, o maquinismo digestivo, o sistema nervoso,  as glândulas hormonais e os órgãos dos sentidos. Tal revelação histológica era diferente de tudo que eu poderia sonhar nos meus trabalhos de medicina. A circulação do sangue semelhava-se a movimento de canais vitalizadores daquele pequeno mundo de ossos, carne, água e resíduos. Milhões de organismos microscópicos iam e vinham na corrente empobrecida de glóbulos vermelhos. Presenciava a passagem de formas esquisitas, à maneira de minúsculas embarcações carregadas de bactérias mortíferas. Elementos maiores da flora microbiana transformava-se em pequeninos barcos hospedando feras minúsculas, às centenas. Invadiam todos os núcleos organizados. Os órgãos, como os pulmões, o fígado e os rins, estavam sendo assaltados, irremediavelmente, por incalculável quantidade de sabotadores infinitesimais. E à medida que se consolidavam os micróbios invasores, em determinadas regiões celulares, alguma coisa se destacava, lentamente, da zona atacada, como se um molde sempre novo fosse expulso da forma gasta e envelhecida, reconhecendo eu, desse modo, que a desencarnação se operava através de processo parcial, facultando-me ilações preciosas. Reparei que algumas glândulas faziam desesperado esforço para enviar aos centros invadidos determinadas porções de hormônios, que eram incontinenti absorvidos pelos elementos letais. O plasma sanguíneo figurava-se líquido estranho e gangrenoso.
Pela excessiva movimentação da onda mental, observei que o moribundo tentava readquirir a direção dos fenômenos orgânicos, mas em vão. Todos os complexos celulares atritavam entre si e as bactérias pareciam gozar o direito de multiplicação crescente e festiva.
- Está vendo a máquina divina, formada pelo molde espiritual preexistente? - perguntou Aniceto, compreendendo-me a profunda admiração. O corpo do homem encarnado é um tabernáculo e uma benção. Nesta hecatombe angustiosa de uma existência, pode você reparar que todos os movimentos do corpo estão subordinados à administração da mente. O organismo vivo, André, representa uma conquista laboriosa da Humanidade terrestre, no quadro de concessões do Eterno Pai. Pode você, agora, identificar os movimentos da matéria viva. Cada órgão é um departamento autônomo na esfera celular, subordinado ao pensamento do homem. Cada glândula é um centro de serviços ativos. Há muita afinidade entre o corpo físico e a máquina moderna. São ambos impulsionados pela carga de combustível, com a diferença de que no homem a combustão química obedece ao senso espiritual que dirige a vida organizada. É na mente que temos o governo dessa usina maravilhosa. Não possuímos aí, tão somente o caráter, a razão, a memória, a direção, o equilíbrio, o entendimento; mas, também, o controle de todos os fenômenos da expressão corpórea. Na sede mental e, conseqüentemente, no cérebro, temos todos os registros de distribuição dos princípios vitais aos núcleos celulares, inclusive a água e o açúcar. Os centros metabólicos são grandes oficinas de trabalho incessante. A mente humana, ainda que indefinível pela conceituação científica limitada, na Terra, é o centro de toda manifestação vital no planeta. Cada órgão, cada glândula, meu amigo, integra o quadro de serviço da máquina sublime, construída no molde sutil do corpo espiritual preexistente e, por isso mesmo, chegará o tempo em que a ciência reconhecerá qualquer abuso do homem como ofensa causada a si mesmo. A usina humana é repositório de forças elétricas de alto teor construtivo ou destrutivo. Cada célula é minúsculo motor, trabalhando ao impulso mental. " (Os Mensageiros Cap.49 - FEB 1944)

 

Momento do desenlace

"A interlocutora consultou-o, ainda, sobre a oportunidade de reunir ali alguns beneficiados da missão cumprida pelo moribundo, que lhe desejavam testemunhar carinhoso apreço, no derradeiro dia carnal.
- Minha amiga compreende as dificuldades inerentes ao assunto - respondeu o nosso dirigente com gentileza. - Se Dimas estivesse plenamente senhor das emoções, não surgiria inconveniente algum. Entretanto, ele permanece agora sob agitações psíquicas muito fortes. Conhece o fim próximo do aparelho carnal, mas não pode esquivar-se, de súbito, às algemas domésticas. Teme o futuro dos seus, conserva-se em total descontrole dos nervos e enlaça-se nas emissões de inquietude da esposa e dos filhos. Cremos ser inoportuna essa visita compacta, no decorrer das atividades da desencarnação, mesmo em se tratando dos melhores amigos do doente, para que se lhe não agrave o descontrole mental. Dimas poderá, não obstante, ser amparado pelo afeto dos que por ele têm afeição, logo se desfaça do corpo grosseiro." (Obreiros da Vida Eterna Cap.XIII - FEB 1946)

 

O Espírito retornando ao convívio dos parentes encarnados

" (...) Retirara-se do convívio familiar, por longo tempo - justificou-se, a fim de adestrar-se em cordura e desprendimento. Regressando, no entanto, ao abrigo doméstico, topava, a cada instante, em si mesmo, o homem que fora. Comodista, agarrado às raízes consangüíneas, absorvido no bem-estar dos que reputava como sendo flores no tronco do coração. Sabia-se em prova árdua. (...) Partilhava as agruras da filha. Voltara instintivamente à agressividade e à extroversão que lhe marcavam o temperamento no passado; entretanto, comprometia-se à revisão de atitudes. (...)" (Sexo e Destino - 1ª parte - Cap.VIII - FEB 1963)

 

 

O velório

" - As imagens contidas nas evocações das palestras incidem sobre a mente do desencarnado, mantido em repouso depois de rápido mergulho na contemplação dos fatos alusivos à existência finda. Não somente as imagens. Por vezes, nossos amigos presentes, fecundos nas conversações sem proveito, exumem, com tamanho calor, a lembrança de certos fatos, que trazem até aqui alguns dos protagonistas já desencarnados.
A poucos passos, todavia, davam-se asas ao anedotário vibrante, em torno do amigo em trânsito para o "outro mundo". Pequenas e grandes ocorrências da vida do "morto" eram lembradas com graça e vivacidade. (...)
 - Nossos amigos da esfera carnal são ainda muito ignorantes para o trato com a morte. Ao invés de trazerem pensamentos amigos e reconfortadores, preces de auxílio e vibrações fraternais, atiram aos recém-desencarnados as pedras e os espinhos que deixaram nas estradas percorridas. É por isso que, por enquanto, os mortos que entregam despojos aos solitários necrotérios da indigência são muito mais felizes." (Obreiros da Vida Eterna Cap.XIV - FEB 1946)

 

Os familiares encarnados

" - A aflição dos familiares encarnados, aqui presentes, poderá dificultar-nos a ação. Observem como todos eles emitem recursos magnéticos em benefício do moribundo." (Os Mensageiros Cap.50 - FEB 1944)

 

Os que ainda dormem

"... Aqui permanecem, com a bênção do abrigo, alguns milhões dos nossos irmãos que ainda dormem. São as criaturas que nunca se entregaram ao bem ativo e renovador, em torno de si, e mormente os que acreditaram convictamente na morte, como sendo o nada, o fim de tudo, o sono eterno. A crença na vida superior é atividade incessante da alma. A ferrugem ataca a enxada ociosa. O entorpecimento invade o Espírito vazio de ideal criador.
...Dormem, porque estão magnetizados pelas próprias concepções negativistas; permanecem paralíticos, porque preferiram a rigidez do entendimento; mas dia virá em que deverão levantar-se e pagar os débitos contraídos. Eis porque os considero sofredores. Primeiramente, demoram no sono em que acreditaram, mais tarde acordam; porém, a maioria não pode fugir à enfermidade e à perturbação, como acontece aos irmãos dementados, que vimos inda há pouco." (Os Mensageiros Cap.22 - FEB 1944)

"Conforme observaram de perto, sabem agora que cada um dos que aqui dormem sono atormentado, vivem estranhos pesadelos, de que não podem isentar-se de um instante para outro. Não precisamos comentar qualquer episódio dessas existências vividas em oposição à Vontade Divina. Bastará lembrar sempre que a dívida, em toda parte, anda com os devedores." (Os Mensageiros Cap.23 - FEB 1944)

" Quase todos os nossos asilados são vítimas de terríveis pesadelos, por terem olvidado, no mundo material, os vossos mandamentos de amor e sabedoria. Sob a imobilidade aparente, movimenta-se-lhes o Espírito, entre aflições angustiosas que, por vezes, não podemos sondar. São eles, Pai, vossos filhos transviados e nossos companheiros de luta, necessitados de vossa mão paternal para o caminho! Quase todos se desviaram da senda reta, pelas sugestões da ignorância que, como aranha gigantesca dos círculos carnais, tece os fios da miséria, enredando destinos e corações! Deprecando vossa misericórdia para eles, rogamos, igualmente para nós, a verdadeira noção da fraternidade universal! Ensinai-nos a transpor as fronteiras de separação para que vejamos em cada infeliz o irmão necessitado do nosso entendimento! Ajudai-nos a compreensão, a fim de que venhamos a perder todo impulso de acusação nas estradas da vida! Ensinai-nos a amar como Jesus nos amou! Também nós, Senhor, que aqui vos rogamos, fomos leprosos espirituais, cegos do entendimento, paralíticos da vontade, filhos pródigos do vosso amor!..." (Os Mensageiros Cap.24 - FEB 1944

 

Para se libertar facilmente

"Na antevéspera do desenlace, tive ocasião de observar a extrema simplicidade do abnegado Bezerra de Menezes, que se encontrava em visita de reconforto junto à servidora fiel.
- Não desejo dificultar o serviço de meus benfeitores - dizia ela, algo triste -, e, por isso, estimaria conservar boa forma espiritual no supremo instante do corpo.
- Ora, Adelaide - considerou o apóstolo da caridade -, morrer é muito mais fácil que nascer. Para organizar, na maioria das circunstâncias, são precisos, geralmente, infinitos cuidados; para desorganizar, contudo, basta por vezes leve empurrão. Em ocasiões como esta, a resolução é quase tudo. Ajude a você mesma, libertando a mente dos elos que a imantam a pessoas, acontecimentos, coisas e situações da vida terrena. Não se detenha. Quando for chamada, não olhe para trás.
E sorrindo:
- Lembre-se de que a mulher de Lot, convertida em estátua de sal, não é símbolo inexpressivo. Há criaturas que, no instante justo de abandonarem a carne, às vezes doente e imprestável, voltam o pensamento para o caminho palmilhado, revivendo recordações menos construtivas... Tropeçam nas próprias apreensões, como se estas fossem pedras soltas ao léu, na senda percorrida, e ficam longos dias fisgadas no anzol do incoerente e insatisfeito desejo, sem suficiente energia para uma renúncia nobilitante.
- Espero - asseverou a interlocutora, em tom grave - que os amigos me auxiliem. Sinto-me socorrida, amparada, mas... tenho medo de mim mesma.
- Preocupada assim, minha amiga? - tornou o antigo médico, satisfeito. Não vale a pena. Compreendo-lhe, todavia, a ansiedade. Também passei por aí. Creia, entretanto, que a lembrança de Jesus, ao pé de Lázaro, foi ajuda certa ao meu coração, em transe igual. Busquei insular-me, cerrar ouvidos aos chamamentos do sangue, fechar os olhos à visão dos interesses terrenos, e a libertação, afinal, deu-se em poucos segundos. Pensei nos ensinamentos do Mestre, ao chamar Lázaro, de novo, à existência e recordei-lhe as palavras: - "Lázaro, sai para fora!" Centralizando a atenção na passagem evangélica, afastei-me do corpo grosseiro sem obstáculo algum." " (Obreiros da Vida Eterna Cap.XIX - FEB 1946)

 

Preparação para a desencarnação

"- Amigos, o concurso desta noite não se destina à cura do corpo grosseiro, posto agora a distância pelas necessidades do momento. Tentamos revigorar-vos o organismo espiritual, preparando-vos o desligamento definitivo, sem alarmes de dor alucinatória. Devo confessar-vos que, retomando o vaso físico, experimentareis natural piora de vossas sensações, agravando-se-vos a tortura, porque os remédios para a alma, na presente situação, intensificam os males da carne. Certificai-vos, portanto, de que as providências desta hora constituem ajuda efetiva à libertação. De retorno ao antigo ninho doméstico, encerrada esta primeira excursão de adestramento, encontrareis mais tristeza no terreno da Crosta, mais angústia nas células físicas, mais inquietude no coração, porque a vossa mente, no processo das recordações instintivas, terá fixado, com maior ou menor intensidade, o contentamento sublime deste instante. Preparai-vos, pois, para vir até nós: solucionais os derradeiros problemas terrestres e confiai na Proteção Divina!" (Obreiros da Vida Eterna Cap.XII - FEB 1946)

 

Prolongamento do tempo de vida

" - Justina, o coágulo acaba de ser reabsorvido e conseguimos socorrer a artéria com os nossos recursos, mas Antônio terá, no máximo, cinco meses a mais, de permanência na Terra. Se você pleiteou o auxílio de agora para ajudá-lo a resolver negócios urgentes, não perca as oportunidades, porque os reparos deste instante não perdurarão por mais de cento e cinqüenta dias....
... Se o nosso amigo despreocupar-se da autocorrigenda, talvez desencarne antes dos cinco meses. Toda a cautela é indispensável. (Missionários da Luz Cap.7 - FEB 1945)

Próximo à libertação

" No leito da morte, as criaturas são mais humanas e mais dóceis. Dir-se-ia que a moléstia intransigente enfraquece os instintos mais baixos, atenua as labaredas mais vivas das paixões inferiores, desanimaliza a alma, abrindo-lhe, em torno, interstícios abençoados por onde penetra infinita luz. E a dor vai derrubando as pesadas muralhas da indiferença, do egoísmo cristalizado e do amor-próprio excessivo. Então, é possível o grande entendimento. ... e gravam-se-lhe no coração, para sempre, mensagens vivas de amor e sabedoria.(...)
(...) Nunca observou a paciência inesperada de doentes graves, a calma de certos enfermos incuráveis e a suprema conformação da maioria dos moribundos? Muitas vezes, semelhantes edificações, incompreensíveis para os encarnados que os cercam, constituem o fruto do esforço de nossos grupos itinerantes de socorro." (Missionários da Luz Cap.7 - FEB 1945)

 

O Psicoscópio (aparelho utilizado para auscultação da alma e observar a matéria)

"- é um aparelho a que intuitivamente se referiu ilustre estudioso da fenomenologia espirítica, em fins do século passado. Destina-se à auscultação da alma, com o poder de definir-lhe as vibrações e com capacidade para efetuar diversas observações em torno da matéria - esclareceu Áulus, com leve sorriso. - Esperamos esteja, mais tarde, entre os homens. Funciona à base de eletricidade e magnetismo, utilizando-se de elementos radiantes, análogos na essência aos raios gama. É constituído por óculos de estudo, com recursos disponíveis para a microfotografia. (...)
(...) decerto que estamos sujeitos às sondagens dos planos superiores, tanto quanto pesquisamos agora os planos superiores, tanto quanto pesquisamos agora os planos que se nos situam à retaguarda. Se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com muito mais facilidade identificaremos os valores da individualidade humana pelos raios que emite. A moralidade, o sentimento, a educação e o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira inspecção." (Nos domínios da Mediunidade Cap.2 - FEB 1955)

" Assim como a Ciência na Terra consegue catalogar os elementos químicos que entram nas formações de matéria densa, em nosso campo de matéria rarefeita é possível analisar o tipo de forças sutis que dimanam de cada ser. Mais tarde, o homem poderá examinar uma emissão de otimismo ou de confiança, de tristeza ou desesperação e fixar-lhes a densidade e os limites, como já pode separar e estudar as radiações do átomo de urânio. Os princípios mentais são mensuráveis e merecerão no porvir excepcionais atenções, entre os homens, qual acontece na atualidade com os fotônios, estudados pelos cientistas que se empenham em decifrar a constituição específica da luz." (Nos domínios da Mediunidade Cap.3 - FEB 1955)

 

Resgates coletivos

" - Imaginemos que fossem analisar as origens da provação a que se acolheram os acidentados de hoje... Surpreenderiam, decerto, delinqüentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, pondo a pique existências preciosas, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes, em supremo atestado de rebeldia, perante a Lei, os quais, por enquanto, somente encontraram recurso em tão angustioso episódio para transformarem a própria situação(...)
(...) - Há trinta anos, desfrutei o convívio de dois benfeitores, a cuja abnegação muito devo neste pouso de luz. Ascânio e Lucas, Assistentes respeitados na Esfera Superior, integravam-nos a equipe de mentores valorosos e amigos ... Quando os conheci em pessoa, já haviam despendido vários lustros no amparo aos irmãos transviados e sofredores.... Totalmente absortos no entusiasmo de ensinar o caminho do bem aos semelhantes, não cogitavam de qualquer mergulho no pretérito, por isso que, muitas vezes, quando nos fascinamos pelo esplendor dos cimos, nem sempre nos sobra disposição para qualquer vistoria aos nevoeiros do vale... Dessa forma, passaram a desejar ardentemente a ascensão, sentindo-se algo desencantados pela ausência de apoio das autoridades que lhes não reconheciam o mérito imprescindível....A posição imprópria que lhes era característica foi carinhosamente analisada por técnicos do Plano Superior, que lhes reconduziram a memória, a períodos mais recuados no tempo. ...
... - Já que podiam escolher o gênero de provação, em vista dos recursos morais amealhados no mundo íntimo - informou o orientador -, optaram por tarefas no campo da aeronáutica, a cuja evolução ofereceram as suas vidas. Há dois meses regressaram às nossas linhas de ação, depois de haverem sofrido a mesma queda mortal que infligiram aos companheiros de luta no século XV.(...)
(...) - E todos podiam selecionar o gênero de luta em que saldariam as suas contas? - perguntei, ainda, com natural interesse.
- Nem todos - disse Druso, convicto - Aqueles que possuíam grandes créditos morais, qual acontecia aos benfeitores a que me reporto, dispunham desse direito. Assim é que a muitos vi, habilitando-se para sofrer a morte violenta, em favor do progresso da aeronáutica e da engenharia, da navegação marítima e dos transportes terrestres, da ciência médica e da indústria em geral, verificando, no entanto, que a maioria, por força dos débitos contraídos e consoante os ditames da própria consciência, não alcançava semelhante prerrogativa, cabendo-lhe aceitar sem discutir amargas provas, na infância, na mocidade ou na velhice, através de acidentes diversos, ... de modo a redimir-se de faltas graves.
- E os pais? ...
- ... as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família. A dor coletiva é o remédio que nos corrige as falhar mútuas. " (Ação e Reação Cap.18 - FEB 1957)

 

Sentindo a presença de espíritos queridos em fase terminal do desenlace

" O moribundo voltou-se e a viu. Alegre sorriso estampou-se-lhe no escaveirado rosto.
- Pois és tu, Bela? Graças a Deus, não morrerei sem pedir-te desculpas!...
A ternura com que se dirigia a tão miserável figura causava compaixão.
A esposa abeirou-se do leito, tentando ajoelhar-se. Ouvindo-o, assombrada, retrucou, aflita:
- Joaquim, perdoa-me, perdoa-me!...
- Perdoar-te de quê? - replicou ele, buscando inutilmente afagá-la. Eu, sim, fui injusto contigo, abandonando-te ao léu da sorte... Por favor, não me queiras mal. Não te pude compreender noutro tempo e facilitei-te o passo em falso, colaborando, impensadamente, para que te precipitasses em escuro despenhadeiro. Não entendi o problema doméstico tanto quanto devia... Hoje, porém, que a morte me busca, desejo a paz da consciência. Confesso minha culpa e rogo-te perdão... Desculpa-me...
Falava vencendo enormes obstáculos. No entanto, notava-se que aquele entendimento lhe fazia imenso bem. A mente apaziguara-se-lhe. Contemplava a esposa, reconhecido, quase feliz.
- Ó Joaquim! - suplicou a mísera - perdoa-me! Nada tenho contra ti. O tempo ensinou-me a verdade. Sempre foste meu leal amigo e dedicado marido!
O moribundo escutou-a, esboçando expressão fisionômica de intensa alegria. Fitou-a, em êxtase, totalmente modificado e murmurou:
- Agora estou satisfeito, graças a Deus!...
Nesse instante, o mesmo médico que viramos, pela manhã, avizinhou-se do leito para a inspeção noturna, acompanhado de diligente enfermeira.
Chamado por ele, voltou-se Cavalcante e, pondo na boca todas as forças que lhe restavam, notificou, feliz:
- Veja, doutor, minha esposa chegou, enfim!" (Obreiros da Vida Eterna Cap.XVIII - FEB 1946)

 

Sintonia

" - Cada criatura, na vida, cultiva as afeições que prefere. Fernando estimava os companheiros desregrados. Não é, pois, estranhável, que tenham vindo esperá-lo na estação de volta à existência real. Paulo de Tarso, no capítulo 12 da Epístola aos Hebreus, afirma que o homem está cercado de uma grande "nuvem de testemunhas". Ora, essa informação foi endereçada ao espírito humano há quase vinte séculos. Cada um, pois, tem o séquito invisível a que se devota na Terra. Mais tarde, quando a coletividade apreender a grandeza das lições evangélicas, todo homem terá cuidado na escolha de suas testemunhas." (Os Mensageiros Cap.50 - FEB 1944)