Aborto, crime, débito, livre, arbítrio, obsessão, responsabilidade, vida, provocado, expontâneo, expontaneo |
Aborto
Nosso Lar
" - Conte as manchas pretas.
Narcisa fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:
- Cinqüenta e oito.
O Irmão Paulo, com a paciência dos que sabem esclarecer com amor, explicou:
- Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem mental de uma criancinha aniquilada... Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto....
- Irmão Paulo, também eu já errei muito no passado. Atendamos a esta desventurada. Se me permite, eu lhe dispensarei cuidados especiais.
- Reconheço, minha amiga - respondeu o diretor da vigilância, impressionando pela sinceridade -, que todos somos espíritos endividados; entretanto, temos a nosso favor o reconhecimento das próprias fraquezas e a boa vontade de resgatar nossos débitos; mas esta criatura, por agora, nada deseja senão perturbar quem trabalha.... " (Nosso Lar Cap.31 - FEB 1943)
Missionários da Luz
" ... o aborto muito raramente se verifica obedecendo a causas de nossa esfera de ação. Em regra geral, origina-se do recuo inesperado dos pais terrestres, diante das sagradas obrigações assumidas ou aos excessos de leviandade e inconsciência criminosa das mães, menos preparadas na responsabilidade e na compreensão para este ministério divino. Entretanto, mesmo aí, encontrando vasos maternais menos dignos, tudo fazemos, por nossa vez, para opor-lhes resistência aos projetos de fuga ao dever, quando essa fuga representa mero capricho da irresponsabilidade, sem qualquer base em programas edificantes. ... Se os interessados, retrocedendo nas decisões espirituais, perseveram sistematicamente contra nós, somos compelidos a deixá-los entregues à própria sorte. Daí, a razão de existirem muitos casais humanos, absolutamente sem a coroa dos filhos, visto que anularam as próprias faculdades geradoras. Quando não procederam de semelhante modo no presente, sequiosos de satisfação egoística, agiram assim, no passado, determinando sérias anomalias na organização psíquica que lhes é peculiar. Neste último caso, experimentam dolorosos períodos de solidão e sede afetiva, até que refaçam, dignamente, o patrimônio de veneração que todos nós devemos às leis de Deus." (Missionários da Luz Cap.14 - FEB 1945)
" ... A pobre criatura, por duas vezes sucessivas, provocou o aborto inconsciente pelo excesso de leviandades e, atualmente, será vítima das próprias irreflexões pela terceira vez, segundo parece. Debalde temos oferecido o socorro de que podemos dispor. A infeliz deixou-se empolgar pela idéia de gozar a vida e irmanou-se a entidades desencarnadas da pior espécie, que, para acentuar os seus planos sombrios, separaram-na do próprio companheiro, ansiosas por lhe precipitarem o coração na esfera das emoções baixas....
... A organização fetal não se encontra em condições de suportar novos desequilíbrios, e, se a pobrezinha não despertar para o dever, abrirá, ainda hoje, uma terceira falência(...)
(...) Apuleio aproximou-se e retirou Volpini, que a ela se abraçava, como criança semiconsciente. Em seguida, vi-o aplicar passes magnéticos em toda a região uterina, empregando infinito cuidado. Retomando Volpíni, que confiara às minhas mãos, para poder operar com eficiência, falou-me, calmo:
Desliguei o reencarnante do santuário maternal; entretanto, não deveríamos esquecer de ministrar o devido socorro à mãe
invigilante. Ela precisa continuar a luta terrestre, quanto possível, para aproveitar alguma coisa da oportunidade..."(Missionários da Luz Cap.15 - FEB 1945)
No Mundo Maior
" Inspirada pelo meu orientador, a enfermeira fez ainda várias ponderações respeitáveis.
Não seria conveniente aguardar mais tempo? Não seria o sonho um providencial aviso? O abatimento de Cecília era enorme. Não se sentiria amparada por uma intervenção espiritual? Julgava, desse modo, oportuno adiar a decisão.
A paciente, no entanto, ficou irredutível. E, com assombro nosso, ante a genitora desencarnada, em pranto, a operação começou, com sinistros prognósticos para nós, que observávamos a cena, sensibilizadíssimos.
Nunca supus que a mente desequilibrada pudesse infligir tamanho mal ao próprio patrimônio.
A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante.
Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárias.
A mente do filhinho imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço de extração. Os raios escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia.
Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal..." (No Mundo Maior Cap.10 - FEB 1947)
" ... Viveste conosco, nestes momentos, um fato pavoroso, que todos os dias se repete na esfera carnal. Estabelecido o império de forças tão detestáveis sobre essas duas almas desequilibradas, que a Providência procurou reunir no instituto da reencarnação, é necessário confiá-las doravante ao tempo, a fim de que a dor opere os corretivos indispensáveis.
- Oh! - exclamei aflito, contemplando o duelo de ambas as mentes torturadas -, como ficarão? permanecerão entrelaçadas, assim? e por quanto tempo?
Calderaro fitou-me com o acabrunhamento de um soldado valoroso que perdeu temporariamente a batalha, e informou:
- Agora, nada vale a intervenção direta. Só poderemos cooperar com a oração do amor fraterno, aliada à função renovadora da luta cotidiana. Consumou-se para ambos doloroso processo de obsessão recíproca, de amargas conseqüências no espaço e no tempo, a cuja extensão nenhum de nós pode prever." (No Mundo Maior Cap.10 - FEB 1947)
Nos Domínios da Mediunidade
" (...) A gravidez cedo se verificou, consoante a planificação de serviço, traçada na Vida Superior. Nossa irmã doente deveria receber o perseguidor nos braços maternos, afagando-lhe a transformação e auxiliando-lhe a aquisição de novo destino, mas, sentindo-lhe a aproximação, recolheu-se a insopitável temor, adiando o trabalho que lhe compete. Impermeável às sugestões da própria alma, provocou o aborto com rebeldia e violência. Essa frustração foi a brecha que favoreceu mais ampla influência do adversário invisível no círculo conjugal. A pobre criatura passou a sofrer multiplicadas crises histéricas, com súbita aversão pelo marido. Principalmente à noite, é colhida, de assalto, por fenômenos de sufocação e de angústia, amargurando o consorte desolado. Médicos foram trazidos, no entanto os hipnóticos foram empregados em vão... Em franca demência, a enferma foi conduzida à casa de saúde, todavia, a insulina e o eletrochoque não lhe solucionaram o problema. Presentemente, atravessa um período de repouso em família, deliberando o esposo experimentar o concurso do Espiritismo. (...)
- E se ela conseguisse nova maternidade? - inquiriu meu colega, estudioso.
- Sim - concordou Áulus, convicto -, semelhante reconquista ser-lhe-á uma bênção, contudo, pela trama de sentimentos contraditórios em que se emaranhou, na fuga das obrigações que lhe cabem, não pode receber, de pronto, esse privilégio." (Nos domínios da Mediunidade Cap.10 - FEB 1955)
Ação e Reação
" - Cecina, a futura mãezinha, sentindo-lhe os fluídos grosseiros, nega-se a recebê-lo. Estamos presenciando a quarta tentativa de aborto, no terceiro mês de gestação, e vimos fazendo o que é possível por mantê-la na dignidade maternal.
Druso esboçou no semblante um sinal de serena firmeza e acentuou:
- É inútil. A jovem mãe aceitá-lo-á, segundo os compromissos dela própria. Além disso, precisamos da internação de Jonas, no corpo físico, pelo menos durante sete anos terrestres...." (Ação e Reação Cap.3 - FEB 1957)
Sexo e Destino
" Em oito anos de ligação conjugal, nunca se portou à altura dos compromissos e praticou seis abortos... Abandonando o lar e afundando-se em prostituição, foi convidada, indiretamente, e por várias vezes, sob a inspiração de amigos daqui, para que se afastasse dos hábitos dissolutos, fazendo-se mãe respeitável de filhos que, embora nascidos do sofrimento, se lhe transformariam, com o tempo, em tutores e companheiros abnegados... Diversos tentames foram empreendidos... Iria, no entanto, expulsou todos os filhinhos, arrancando-lhes do seio o corpo em formação... Seis abortos até agora e, até agora, nada fez que lhe recomende a permanência do mundo... Não lhe consta da ficha o mínimo gesto de bondade à frente dos semelhantes... Ela própria se entregou de bom grado aos vampirizadores que lhe desgastam as energias... ." (Sexo e Destino - 2ª parte - Cap.X - FEB 1963)
E a vida continua...
"No segundo ano, após o enlace, veio a gravidez, carinhosamente esperada; no entanto, com a gravidez, apareceu a doença. Descobrira-se-lhe o corpo deficitário. Revelaram-se os rins incapazes de qualquer sobrecarga e o coração figurara-se motor ameaçando falhar. Ginecologistas ouvidos opinaram pelo aborto terapêutico e, conquanto a imensa mágoa do casal, o filhinho em formação foi arrancado ao claustro materno, à maneira de ave tenra, escorraçada do ninho.
Desde então, a viagem da vida se lhe transformara em vereda de lágrimas. (...)" (E a Vida Continua... Cap.1 - FEB 1968)

Aborto provocado
" ... - ... A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça Divina, pelo crime praticado. É, então, que se reconhece rediviva, mas doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do remorso, reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais.(...)
(...)- ... A mulher que corrompeu voluntariamente o seu centro genésico receberá de futuro almas que viciaram a forma que lhes é peculiar, e será mãe de criminosos e suicidas, no campo da reencarnação, regenerando as energias sutis do perispírito, através do sacrifício nobilitante com que se devotará aos filhos torturados e infelizes de sua carne, aprendendo a orar, a servir com nobreza e a mentalizar a maternidade pura e sadia, que acabará reconquistando ao preço de sofrimento e trabalho justos(...)
(...) não tive coragem de prosseguir perguntando, absorvido então pelo temor de aprofundar em excesso num terreno em que terminaria por esbarrar nos detritos de meus próprios erros ..." (Ação e Reação Cap.15 - FEB 1957)

Aborto Espontâneo
" - Podemos dizer-lhe, minha irmã, que, por seus méritos indiscutíveis, benfeitores e amigos de que dispõe na Espiritualidade Maior rogaram aos agentes da Divina Justiça não lhe permitissem a desencarnação sem começar o processo de sua reabilitação espiritual na Terra mesmo... Assim é que, através da onda mental dos remorsos que lhe ficaram, à face do suposto suicídio de Mancini, você atraiu para o próprio claustro materno o Espírito sofredor de um irmão suicida, sentenciado pela própria consciência a experimentar a provação de um corpo frustrado, de modo a valorizar com mais respeito o divino empréstimo da existência física. Como é fácil de ver, as angústias da maternidade malograda lhe foram extremamente úteis na Terra, por lhe haverem proporcionado ensejo a preciosas reparações. (...)
- Somos mecanicamente impelidos para pessoas e circunstâncias que se afinem conosco ou com os nossos problemas. (...) Lastimando Mancini, deplorava a si mesma e, nesse estado de emoções negativas, fez-se vaso de uma entidade nas condições em que supunha haver precipitado o moço menos feliz. À vista disso, converteu-se automaticamente em desventurada mãe de um companheiro suicida, no anseio de expiar a própria falta. (...)
- Enunciando inconscientemente o coração de amigos e benfeitores, no Mundo Espiritual, que lhe advogaram a concessão da bênção a que já nos referimos. (...) Você não pagou em Túlio o débito em que se viu incursa, mas resgatou essa conta, junto a suicida anônimo, segundo a lei que rege a tranqüilidade de consciência. E o irmão desconhecido, ao mesmo tempo que amargou a provação do berço prematuramente inutilizado, começou a ressarcir a dívida que assumira para consigo mesmo, aprendendo quanto custa e como custa o tesouro de um corpo físico, utensílio de aperfeiçoamento e progresso. " (E a Vida Continua... Cap.15 - FEB 1968)